Aciara vai orientar empresários sobre a gravidade da situação e possível colapso na saúde

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O comércio ficará aberto, mas com regras mais rígidas.

A Associação Comercial de Araguaína (Aciara) se comprometeu a assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a Defensoria Pública do Tocantins a fim de que seja promovida no comércio da cidade a conscientização dos empresários e comerciantes sobre a gravidade do momento e da real possibilidade de colapso de todo o sistema de saúde devido ao novo coronavírus. O compromisso foi feito neste sábado (4).

“Precisamos estar todos unidos na prática de medidas preventivas, exercendo o isolamento social, os protocolos de higiene, etc. Conter o avanço da Covid-19 é a única forma de impedirmos ou reduzirmos medidas mais rigorosas. Só assim protegeremos a vida e a economia, lembrando que especialmente para as pessoas pobres, os dois valores estão intimamente ligados”, disse o defensor Sandro Ferreira, titular da 17ª Defensoria da Fazenda Pública. 

Em busca da garantia do direito de todos à saúde individual e coletiva, membros da Defensoria se reuniram com membros do Ministério Público Estadual (MPTO), representantes da Prefeitura, da Aciara, e representantes da sociedade civil a fim de discutirem medidas a serem implantadas no município para o enfrentamento ao novo coronavírus.

Realizadas na sexta-feira (3), e no sábado (4), as reuniões foram motivadas pela necessidade de um alinhamento das ações e, ainda, pelo decreto nº 208/2020 – que implantou medidas de prevenção na cidade, porém, com validade apenas até este domingo (5).

SAÚDE PÚBLICA

As questões de saúde foram a pauta principal da reunião realizada na sexta-feira (3), com representantes da Prefeitura de Araguaína, Defensoria, comércio, MP, Poder Legislativo e Secretaria Estadual da Saúde.

Durante o encontro, foi discutida a oferta de leitos, estrutura de um hospital de campanha, caso venha a ser necessário, e quais medidas já estão sendo tomadas pelo gestor municipal, como a reforma da Unidade de Pronto de Atendimento (UPA) da Vila Norte para possibilitar a instalação de 15 leitos com respiradores, contando com contrapartida futura dos demais entes públicos, estadual e federal, sendo que já está em funcionamento um fluxo de atendimento específico para pacientes acometidos pelo Covid-19 na rede de saúde municipal.

Segundo a Prefeitura, no Hospital Municipal de Araguaína, que também atende crianças, dois leitos com respiradores estão preparados, com a possibilidade de ampliação de mais um. Além disto, um leito com respirador está disponível para estabilização desses pacientes na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Araguaína.

Já no Hospital Dom Orione, está em andamento a implantação de 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com previsão de emenda parlamentar para financiar o funcionamento por aproximadamente três meses. No Hospital Regional de Araguaína, 10 leitos para pacientes em estado grave também estão sendo implantados, segundo informou a direção do Hospital.

“Segundo informações repassadas pelas autoridades, leitos especiais para enfrentamento ao Covid-19 estão disponíveis em número razoável de acordo com número atual de casos. Ainda é cedo para flexibilização, pois a pandemia ainda está no período de expansão e muitas vidas estão em jogo, por isto precisamos de um decreto mais restritivo que o anterior. Porém, o tempo que ganhamos com a estrutura de suporte e os números baixos de casos registrados até o momento permitem-nos postergar o lockdown [fechamento parcial ou completo de empresas] e talvez até evitá-lo, sem abandonar o isolamento social e demais medidas preventivas. Assim, a economia local ganha um pouco de fôlego e pode se programar para os cenários futuros possíveis, enquanto monitoramos o desenvolvimento da doença,” avaliou o Defensor Público. 

Judicialização

A DPE de Araguaína recorreu à Justiça, no último dia 27, para que fossem garantidas as medidas de prevenção no Município e, com isso, evitadas a aglomeração e o fluxo de pessoas, visto que o gestor municipal havia editado o decreto nº 214, permitindo a reabertura do comércio e flexibilizando as medidas de prevenção ao novo coronavírus.

O defensor público Pablo Mendonça Chaer disse que a judicialização foi necessária naquele momento. “Agora, até pelo fato da Defensoria ter feito parte deste debate, a construção do novo decreto deve atender a necessidade de prevenção e isolamento, de acordo com as autoridades sanitárias”, comentou Chaer.

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